Minério e Prosa: “Nenhum amor poderá ser completo”, na visão de Nádio Batista

A vida não tem sentido sem seus mistérios. Não é o que sabemos que deveria ser a condição da nossa alegria de viver. É o que não-sabemos que deveria nos interessar.
Por que tememos o infamiliar? Quem disse que o estranho é apavorante?
Temos a faca e o queijo da felicidade em nossas mãos – e não a aproveitamos. Deduzimos – não sabemos de onde – que se formos além não gostaremos do que poderemos encontrar. Daí, falamos sempre as mesmas coisas, fazemos tudo sempre igual e congelamos nossos amores em padrões.
Não precisamos frequentar escolas ou ler livros para aprender que as pessoas são muito mais do que o que sabemos sobre elas. Não é possível possuir o outro. Por mais que prenda no pé da cama, não é possível ter o outro. E o amor, quando pensamos tê-lo sobre nossas mãos, ele já fugiu.
Achamos que tudo acaba no limite dos nossos sentidos. Daí, achamos que o outro é só o que vemos, ouvimos, saboreamos, tocamos e sentimos dele.
Será que nossos olhos já viram tudo? O que é ver? O que é ouvir? Qual é o limite?
Por comodidade, coisificamos nossos amores. Por comodidade, morremos/vivos. O que é o outro? Ainda que nosso amor dure toda a eternidade, jamais saberei tudo dele.
Mude o jeito de olhar as coisas! Porque nenhum amor poderá ser completo… pensar e viver assim, é maturidade.

Escrito por: Nádio Batista