Minério e Prosa: “Em sonhos” com Nádio Batista

No sonho eu construí os meus espaços,
Degrau após degrau. Mas tudo em vão,
Por ser refém de alguma imagem falsa.
Feito a caverna— sombras de Platão.

Já não havia o sentimento irmão
De se doar sem preço os seus abraços.
Por não haver, quem sabe, essa porção
Dos que o destino coroava os passos.

Portanto, eu já não tendo mais assento
Na mesa universal, virei um estranho
Entre os açoites que sacodem o tempo.

Com o peso dos meus dias, meses, anos,
Vou sepultando a dor dos desenganos
Na cova rasa dos meus sentimentos.