Minério e Prosa: No fenômeno da ressureição a presença das mulheres e da juventude

Não cremos na ressurreição da alma sem o corpo. Uma alma sem corpo é fantasma. Um corpo sem alma é cadáver. O corpo é uma totalidade em relação simbiótica com a alma . Corpo e alma. Alma e corpo. Uma unidade psicossomática.
O Evangelho de Marcos fala-nos da ressurreição – Marcos 16, 1… Algumas mulheres acordaram era alta madrugada. O astro rei ainda estava dormindo envolto com a capa escura da noite. Os vagalumes eram pequenas estrelas ornamentais, réplicas de gigantes astros pendurados na escura abóbada celeste. Eram três mulheres. A teimosa, a Corajosa e a Revolucionária. Uma santíssima trindade feminina. Representavam o Espírito Maternal de Deus. Elas compraram perfumes. Coisa de mulheres. Lembraram-se de que Jesus, também, gostava de perfume. Em vida uma vez uma mulher perfumou os seus pés cansados. Um, entre os discípulo reclamou. Argumentam que o perfume poderia ser vendido e o dinheiro dado aos pobres. Esqueceu de que Jesus era também um pobre, socialista, revolucionário e feminista. Seu projeto não era paternalista para perfumar o nariz dos pobres com o cheiro da mais valia. Pensemos nas mulheres peregrinas da ressurreição. Uma delas falou:
– companheiras, pés na estrada, vamos ver o túmulo onde foi colocado o corpo de Jesus! Todas tinham a mesma preocupação: quem removerá a pedra que foi posta sobre o seu sepulcro? Marcos 16,3. Drummond dizia: “No meu caminho tinha uma pedra.” Tinha uma pedra no caminho do poeta. Aí eu lembro das pedras no caminho da classe trabalhadora. E, como negar das pedras no caminho do SUS. E, das tantas e tantas pedras no caminho da educação de qualidade.
Tem uma pedra! Tem tantas pedra! Tantas pedra!… Pois bem, vamos voltar de onde nunca saímos. Quando as mulheres chegaram no túmulo a pedra já estava removida. Um jovem já estava no local. Esse jovem não dormiu a noite toda. Ficou como sentinela. Em Marcos 16, 4-5 registra, que esse jovem estava sentado ao lado direito do túmulo vazio. Ou seja, no fenômeno da ressurreição estava, também, a presença da juventude. Era um jovem solitário sentado à direita do nada transformado em tudo. Repito: sentado do lado direito . Isto significa que Jesus ressuscitou à sua esquerda . Linda metáfora poética e revolucionária, não! Uma aliança das mulheres com a juventude na ressurreição de um mártir da classe trabalhadora – Marcos 16,4-6.
O jovem sendo, também, testemunha da ressurreição, disse:
– senhoras, ide, dizei aos seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós – Marcos 16,7. Porque dizer aos discípulos e a Pedro? Pedro era um revolucionário que teve medo e talvez, por uma questão estratégica, tenha negado Jesus, antes do cantar do galo na terra que mina minério, leite e mel – Canaã. Por que o autor registra estas palavras? “dizei aos discípulos e a Pedro” E a Pedro. Pedro não era discípulo? Sim! Um discípulo que tinha cometido um vacilo ideológico e por isso estava completamente excluído do comando central do discipulado. E a Pedro. E é uma conjunção aditiva. Ou seja, foi o mesmo que dizer: Ide, dizei aos discípulos, e, PRINCIPALMENTE a Pedro. Em outras palavras, no processo revolucionário da RESSURREIÇÃO ninguém deverá ser excluído! Só ficarão do lado de fora os opressores, os torturadores, os mercadores e profissionais da fé, os enganadores, os vendedores da pátria, os bajuladores do império e todos os inimigos do povo, que vem com aparência do bem, mas tem o usurpador por trás.
Foi por essa razão que o cristianismo primitivo se constituiu em uma força revolucionária que ameaçava o poder religioso e o poder político. Esse poder foi e continua sendo uma aliança espúria entre deus e o diabo. Deus é a personificação da JUSTIÇA e do AMOR. O Diabo é a personificação das trevas, representadas por todos os partidário e propagadores da injustiça, da ganância que mata a vida.
Cremos na ressurreição do corpo. Cremos na esperança e desejamos que nunca morra em nosso coração!
E nunca esqueçamos, que da mulher veio a mensagem da ressurreição do amor, da justiça, da partilha e da esperança.

Nádio Batista